Ano XXII | N°. 252
Maio de 2005
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  Inadimplência mostra sinais de crescimento no primeiro trimestre
  Dados de março divulgados pela Equifax inverteram a tendência de queda generalizada observada há um ano
  Para o assessor econômico da Equifax, João Pamplona, embora não se possa falar de uma consolidada trajetória de elevação, há importantes sinais de que a inadimplência poderá aumentar nos próximos meses. Segundo ele, a análise feita com base em comparações trimestrais indica que, desde o terceiro trimestre de 2004, a quantidade de títulos protestados deixou de ter trajetória declinante e passou a apresentar comportamento ascendente.

O número médio mensal de protestos, que foi de 615.929 no terceiro trimestre de 2004, passou para 632.358 no quarto trimestre de 2004 e atingiu 643.142 agora no primeiro trimestre de 2005.

“Detectamos que essa performance dos títulos protestados acompanhou a queda do ritmo do crescimento econômico medido pelo PIB”, afirma.

Outro sinal de aumento da inadimplência está na trajetória recente do número de cheques devolvidos. Em março de 2005, foram devolvidos 3.815.188 cheques e no mesmo período de 2004, tinham sido computadas 3.521.778 devoluções. O número de cheques devolvidos subiu 8,3% e alcançou o maior nível da série histórica da Equifax desde 1995. Essa quantidade de cheques devolvidos por falta de fundos de março do atual ano é bastante alta e indica não apenas fatores sazonais relacionados a gastos extras que normalmente ocorrem no primeiro trimestre (decorrentes de férias, Carnaval, compra de material escolar), como também dificuldades novas impostas pela conjuntura econômica do País.

Por outro lado, a análise isolada do número de março último de títulos protestados ainda não mostra elevação da inadimplência. Foram 698.969 protestos em março de 2005 contra 788.367 no mesmo mês de 2004. Uma queda de 11,3%. Dois aspectos tornam essa diminuição relativa: o primeiro deles é a base de comparação ainda alta de março de 2004. O segundo é a possibilidade dos títulos protestados reagirem mais lentamente às dificuldades já apontadas pela elevação do número de cheques devolvidos. “Os cheques indicam que poderá haver aumento dos títulos protestados nos próximos meses, já que isto seria uma forma de pressão para o recebimento dos valores não quitados”, diz.

Para Pamplona a conjuntura econômica mais desfavorável do final do primeiro trimestre de 2005 - que provavelmente já se reflete na piora dos indicadores de inadimplência - é decorrente da política monetária. O Ban¬co Central já promoveu o aumento da taxa básica de juros seis vezes seguidas, desde setembro, tem provocado o aumento significativo da taxa de juros para consumidores e empresas.

“Os sinais de acomodação do nível de atividade econômica que se originaram dessa política de juros altos apareceram nos dados recentemente divulgados pelo IBGE sobre a indústria. Houve queda de 1,2% da produção industrial em fevereiro sobre o mês anterior. Um desempenho que surpreendeu negativamente”, finaliza o economista.