Vítimas de cartões clonados querem saber o endereço dos fraudadores: é possível?
A seguinte cena se repete com bastante frequência: Uma pessoa
descobre alguma compra realizada ilegalmente em seu cartão de crédito,
se dá conta de que foi vítima de fraude e, desesperada por mais
informações, faz algumas buscas no Google e chega ao blog da Konduto.
Em nossos textos, este consumidor entende que este golpe é
infelizmente um problema muito frequente, mas que a legislação protege
o portador e que é possível solicitar o reembolso daquela compra. Ufa!
Fim da história e final feliz para este consumidor!
Erm… não.
Recebemos com bastante frequência e-mails destes clientes vítimas de
fraude com a mesma pergunta: “Quero saber quem está fazendo estas
compras! Como faço para que o banco me dê o nome e o endereço deste
fraudador?” Nas primeiras vezes em que vimos esta mensagem, admitimos,
ficamos um pouco assim:
Mas depois, analisando um pouco a situação e se colocando na pele
desta pessoa, pudemos entender. Há uma curiosidade em
saber como , por que
, quem está fazendo isso, o que foi comprado, onde o
pedido foi entregue. Entender a fundo, construir uma história, ter
imagens de personagens, de cenários… Acho que é normal, faz parte um
pouco da nossa natureza. Eu mesmo, quando tive meu cartão clonado há
alguns anos (casa de ferreiro espeto de pau, hehe), me fiz esses
mesmos questionamentos. Mas, tanto na vida como na fraude de cartão de
crédito, precisamos assimilar uma coisa: “nunca vamos ter respostas
para tudo”. Agora, passado o momento autoajuda, vamos retornar ao tema.
Como descobrir quem fraudou meu cartão?
Você provavelmente não descobrirá, desculpe te dizer. Mesmo que você entre em contato com o banco ou com o e-commerce que recebeu aquela transação fraudulenta. O cliente, por contrato, tem o direito de receber de volta o valor de uma transação não reconhecida em sua fatura. Mas estas instituições não são obrigadas legalmente a fornecer informações sobre o suposto comprador. E, mesmo que o façam, qual a chance de um criminoso ter utilizado os próprios dados pessoais, não é mesmo?
Mas nem o endereço de quem fez a compra?
Nem o endereço. Aliás, o que você faria com este tipo de informação?
Iria até o endereço da entrega para dar uma bronca no fraudador? Será
que realmente vale a pena? E se você for uma pessoa que mora no
município de Oiapoque, no norte do Amapá, e descobre que o seu cartão
foi utilizado para uma compra fraudulenta em Santa Vitória do Palmar,
localizada no sul do Rio Grande do Sul e a 20 km da fronteira com o
Uruguai? Você realmente iria se deslocar até lá? Provavelmente, quem
clonou o seu cartão não é alguém do seu círculo social e sequer mora
na mesma cidade que você. E de nada adianta saber onde esta pessoa
mora ou onde a mercadoria foi entregue… Sem falar que é perigoso, né?
Ah, e outra coisa:
Fraudes dificilmente serão investigadas
E isso é uma triste realidade. É impossível investigar
criminalmente as fraudes contra e-commerces, e os números nos mostram
isso. No relatório Raio-X da Fraude
, fizemos uma estimativa de que, só em 2019,
houve uma tentativa de fraude a cada 5 segundos . Sejamos
realistas: qual a chance de que 0,1% deste total seja investigado?
A Justiça não investigará a clonagem de cartão que você sofreu, e
aconselhamos que você não queira fazer justiça com as próprias mãos
também, ok? Mas isso não impede você de fazer a sua
parte , que é abrir um Boletim de Ocorrência para registrar o
ocorrido e colaborar com as autoridades. Se o problema será
investigado ou não jamais saberemos, mas você terá feito a sua parte.
Nós sabemos, é muito frustrante sofrer um golpe deste tipo e ter que
gastar tempo ligando para o banco, solicitar o cancelamento do cartão,
esperar o reembolso e aguardar a chegada de um plástico novo… Mas não
se esqueça: o consumidor, por lei, está protegido. E o cartão de
crédito ainda é o meio mais seguro para o cliente realizar pagamentos
na internet.